sexta-feira, outubro 29, 2004   

 

sms de fim de tarde

 

«olha lá, queres vir passar o fds a foz côa? vamos todos, excepto a i. que está de urgência.»

«não posso, tenho outra coisas combinadas.»

«outras coisas? haverá algo melhor que passar o fds com amigos?»

«há. o próximo fds. divirtam-se»

 

 

 

tu

 

dizes-me coisas que

l e n t a m e n t e acumulo

numa espiral

imperceptível

 

 

 

quero que saibas

 

Que os naufrágios não interrompem os sonhos

 

 

 

 

Sabes... pensei que te rasgava aos rasgar as nossas memórias. Engano meu. A desordem agora é muito maior.

 

quinta-feira, outubro 28, 2004   

 

desejos

 

apetece-me tanto ir à casa de chá de Serralves comer uma fatia de bolo de maçã com canela e beber chá de tangerina. Hummm

 

 

 

sms

 

«Olá mana. Estamos na Patagónia. Beijinhos nossos.»

Imbecil! :)

 

terça-feira, outubro 26, 2004   

 

coisas que me fazem rir

 

A nova publicidade da Sagres Preta. Fabulosa!



De chorar a rir! B)

 

 

 

Confissão

 

Não gosto do aspecto deste blog.

 

 

 

ecoponto

 

Rasguei as fotografias das férias nos Açores, Londres, Barcelona e Tenerife.
Rasguei as fotografias dos fins-de-semana em Vila de Rei, Monsanto, Gerês, S. Pedro do Sul, Belmonte, Monfortinho e Galiza.
Rasguei as fotografias a preto e branco que me tiraste em Serralves.
Rasguei os bilhetes dos concertos do Jorge Palma, Sérgio Godinho, Rui Veloso, Jethro Tull e do Festival Intercéltico.
Rasguei os bilhetes do teatro, da ópera e do ballet.
Rasguei os bilhetes de avião, barco, metro e autocarro.
Rasguei os poemas que me escreveste.

Não voltes a dizer que tens saudades minhas.

 

 

 

 

a solidão é o enigma onde mais se aprende.

 

segunda-feira, outubro 25, 2004   

 

Também tenho um «Problema de Expressão»

 

Só pra dizer que te amo,
nem sempre encontro o melhor termo,
nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
a língua inglesa fica sempre bem
e nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
e o que digo está tão longe,
como o mar está do céu.

Só pra dizer que te amo
não sei porquê este embaraço
que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
e o que sinto por ti são coisas confusas
e até parece que estou a mentir,
as palavras custam a sair,
não digo o que estou a sentir,
digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
e o que digo está tão longe,
como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
é bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
para resolver o meu problema de expressão,
pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.

- Clã

 

 

 

«Se partires, não me abraces»

 

Se partires, não me abraces -a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.

Se me abraçares, não partas.


- Maria do Rosário Pedreira

 

 

 

 

Moro agora nos olhos das crianças,
disponho a luz para as ver melhor,
o azul aproxima-se da pupila.
Nesta praça que me lembra outra
mais antiga, os pombos vêm
beber a solidão das minhas mãos.
Digamos então que um brusco aroma
me traz o sol ou uma abelha
ou esses olhos onde agora moro.

- Eugénio de Andrade (De Matéria Solar, 1980)

 

sexta-feira, outubro 22, 2004   

 

 



Não gosto de palhaços. Fazem-me chorar.

 

 

 

hoje

 

as palavras tecem teias na minha boca.

 

quinta-feira, outubro 21, 2004   

 

entre o espanto e a ternura

 

o silêncio dilata as formas
fortalece as pedras
sustem o ar

cai oblíquo na sombra
cresce nos dias
liga os nomes
concentra memórias
é geométrico
fecundo
ruidoso
mudo

 

 

 

da saga: ele há coisas que me fazem rir - parte II

 

Ontem, na Antena 3, onde se falava sobre medicina tradicional versus medicinas alternativas, ouvi o seguinte comentário de um ouvinte:

«Eu não acredito nessas medicinas alternativas. Aliás, nunca experimentei nenhuma delas. Bem, na realidade, acredito na acupuntura porque, felizmente, utilizam agulhas como na medicina tradicional»

Hummm

 

quarta-feira, outubro 20, 2004   

 

música para um dia como o de hoje

 



 

terça-feira, outubro 19, 2004   

 

 

Não!, não te amo. Desejo-te como se deseja alguém que se ama.

 

segunda-feira, outubro 18, 2004   

 

 

esta noite vou fazer amor contigo e adormecer, extasiada, no teu (a)braço de mar

 

 

 

 

caminho sem avisar que chego
vou e venho em calcanhares
sussurro cansaço
onde estou já não pertenço

 

 

 

 

Faltas-me na proporção exacta do amor.

 

sexta-feira, outubro 15, 2004   

 

 

passeio o hálito dos teus lábios
a minha máscara cai na matéria quotidiana do corpo
a raiva queima-me a pele na ponta dos fósforos
que cerro em punho a estalar a calma dos locais sozinhos
agarro as sombras que repetem no chão a chegada da luz
encaminho-me nas esquinas sentada na terra respirada
e a tua ausência aumenta as pupilas do tempo
recebo as verdades árduas que me chegam

penduro a tristeza nos joelhos

 

 

 

saberás?

 

a quebrar dunas reapareces como se
nada te fosse susto ou grito completado
ocupo-te o veres-te em retrato e perfil

as lembranças são amarelas meu amor
aumentam a solidão e a linguagem da morte

não sei se tu sabes do estrangular
da partida em sono pisado num
exercício de madrugar
do esforço das raízes em esquecer a semente
da lentidão poeira
da idade magnética da vida

não sei se já te entregaste ao outro
lado do entendimento
quando as estrelas deixam nódoas adultas no
corpo inteiro e o desejo aterra na
ponta dos dedos em pulmões

não sei se já caminhaste no
interior do interior
a mastigar oxigénio com a garganta
feita num nó

 

quinta-feira, outubro 14, 2004   

 

 

«Um no Outro

Não aceito o que ainda não tem nome. escuto
a noite de uma árvore, um ventre sem umbigo.
Nada desejo e desejo o imóvel fundo.
Quero conhecer a pele nua e o sol da vulva
que a palavra respire e seja planície.
Viver é o teu ventre na frescura do começo.
Cada parcela do teu corpo expande o sangue solar.
Do fundo de mim tu caminhas para mim.
Que delícia estender-me até ao teu nome cego!
No triângulo perfeito somos um no outro.
Inundo-te como uma lava como um vento de vertigem.
Em ti penetro até ao fundo, até à perda,
ó corpo incandescente!»

António Ramos Rosa - «cada árvore é um ser para ser em nós»

 

 

 

 

Sobram mãos, dedos, gestos.
Sobram néons, decifro vultos.
Sobram sorrisos, amordaço a lua.
Sobram silêncios de granito.
Sobram árvores, crescem folhas.
Sobra a linguagem absurda das ideias.

Nada é interdito.

 

terça-feira, outubro 12, 2004   

 

 

um estame derramado
sobre a seda
um aroma a cravo acre
e a leite
e a aurora promessa a
meia lua de sol
em leque e feixe

 

 

 

«mudemos de assunto», sim?

 

Andas aí a partir corações
como quem parte um baralho de cartas
cartas de amor
escrevi-te eu tantas
às tantas, aos poucos
eu fui percebendo
às tantas eu lá fui tacteando
às cegas eu lá fui conseguindo
às cegas eu lá fui abrindo os olhos

E nos teus olhos como espelhos partidos
quis inventar uma outra narrativa
até que um ai me chegou aos ouvidos
e era só eu a vogar à deriva
e um animal sempre foge do fogo
e mal eu gritei: fogo!
mal eu gritei: água!
que morro de sede
achei-me encostado à parede
gritando: Livrai-me da sede!
e o mar inteiro entrou na minha casa

E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa lá, que este barco a viajar
há-de chegar à gare da sua cidade
e ao desembarque a terra será mais firme
há quem afirme
há quem assegure
que é depois da vida
que à gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade

Da tempestade, o que se teve em comum
é aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que é frágil o pano
que enfuna as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
frágil e resistente ao mesmo tempo

Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto

sim?

- Sérgio Godinho

 

segunda-feira, outubro 11, 2004   

 

entre o verão e o outono

 

invento um tom húmido
que agasalha o cambalear das palavras
na garganta.

 

 

 

à escuta

 



A faixa 15 - 'António' - é especialmente bonita

 

 

 

 

Vim do lado sul
de todos os caminhos
que vão dar à sede.

 

 

 

 

Esta noite voltei à minha infância.
E à infância regressa-se solitáriamente
como subindo um muro sem ameias.

 

quinta-feira, outubro 07, 2004   

 

a noite...

 

é o subterfúgio inesperado que aquece o coração.

É melhor não dormirmos. A noite é mentirosa.

 

quarta-feira, outubro 06, 2004   

 

 

Eu só queria ver de que era feito o teu amor por mim. Precisava de escangalhar o teu coração para o fazer encaixar no meu. E agora tenho que o desencaixar outra vez para sair deste limbo. Mas não sei como. Sem o teu coração não consigo amar (...).»

Inês Pedrosa «Fazes-me Falta»

 

sexta-feira, outubro 01, 2004   

 

raiva

 

firme o freio
o ranger dos dentes


o moinho de pedra
e as ancas
soltas
navegam os ventos
e a espádua
livre
divide a água

 

 

pergunta-me [se te apetecer]

parece que foi ontem:

pronto, já passou:

os outros:

procura [se te apetecer, também]